segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Grave e doce

Foram apenas 5 segundos.
Eu e Fernando passamos esse tempo olhando um nos olhos do outro.
Esses 5 segundos pareceram durar 5 minutos.
Foi o tempo necessário para que eu pudesse ver a doçura e sensibilidade no fundo do seu íntimo. Dizem que os olhos são as janelas da alma. Naquele momento eu pude ver que essa frase é real.
Me apaixonei pelos seus olhos, pelo olhar intenso e carinhoso. Ele parecia me acariciar com os olhos.
O brilho dos seu olhar de repente sumiu.
Alexandre me puxou pelo braço ao me ver tão entretida com Nandinho.
Fomos andando até um lugar mais isolado da festa.
Olhei para trás diversas vezes, tentando avistar aqueles olhos que me fizeram mais feliz por 5 segundos.
Alê parou e me colocou em seu ponto de vista. Estávamos frente à frente.
- Mel, er... - ele coçou a cabeça com a mão direita.
Eu podia ver a sua expressão com a fraca luz distante do fogo.
- O quê? Por que viemos aqui? - não estava entendendo o motivo dele ter me levado naquele lugar.
- Nós precisamos conversar. - sua voz ficou séria.
- Pode falar. - o que eu mais queria era voltar pra festa e ter Fernando no meu plano de visão mais uma vez.
- Mel, eu estou apaixonado por você! - Alê disse isso como se estivesse tirando um peso das costas - Pronto falei!
Aquela frase me deixou entorpecida. Não sabia o que responder.
Senti medo. Medo de me relacionar e ter uma decepção, assim como com o Dan. Um passado tão distante, lembranças enterradas, que, num piscar de olhos, voltaram à tona.
- E aí? - ele perguntou, querendo saber a minha reação.
Balancei a cabeça tentando afastar todos aqueles sentimentos, medo, insegurança e desconfiança.
Olhei firme em seus olhos e respondi:
- Eu também - sorri, e pude ver seu sorriso iluminado e aliviado na pouca claridade vinda da fogueira.
As suas covinhas reapareceram, pareciam ainda maiores, mais felizes que o próprio Alexandre.
Ele colocou as mãos na minha cintura, e me pegou em um beijo apaixonante.
O beijo mais romântico e carinhoso que já recebi. Ninguém nunca havia me beijado daquele jeito. Acho que é por isso que eu penso que fora o melhor da minha vida.
Naquele momento especial, eu não percebi, mas quando balancei a cabeça para afastar as lembranças, acabei ignorando a parte do meu cérebro que gostara de Nandinho.
Fernando desapareceu, não havia mais espaço para ele. "Agora, só o Alê me importa", pensei, feliz e realizada.

No outro dia, de manhã. Débora me acordou.
- AMIGAAAAAAAAAAA! É VERDADE O QUE POVO TÁ FALANDO AÍ FORA? - ela gritou, nem se importou com o meu sono.
- Ãn? - ainda estava grogue. Levantei o tronco e olhei para o seu rosto.
- Deixa de ser lerda, Melissa! - Debi empurrou meu ombro, me fazendo cair novamente na cama. - Você beijou o Alexandre???
- Pôxa, eu ia te contar, mas quando cheguei você já tava dormindo...
- Então é verdade? - ela fez uma cara surpresa, divertida, como se esperasse que isso acontecesse, mas não tão cedo.
- É verdade Debi! - eu pulei da cama e lhe dei um abraço, um sorriso estampado no rosto.
- Mas, já?
- É né, ele que me beijou tá? Não foi eu que agarrei ele não. - ri da sua expressão, estava tão engraçada! Do tipo: "Tô muito de cara!"
- Pois é, Mel... Você não perde tempo, né não? - levantou as duas sombrancelhas rapidamente, como quem diz: "Pegadora!". Nós rimos juntas - e agora? Como que vai ser?
- Não sei... - pensei por um segundo - só sei que ontem foi bom!
Nós rimos de novo.

Como a Débora já havia tomado café-da-manhã, ela me observava enquanto eu comia.
- Não vai comer não, Dé? - perguntei, de boca cheia.
- Você tá querendo me engordar, safada? - ela sorriu, eu não, se sorrisse, só iam aparecer pedaços de pão, e meus dentes ficariam escondidos por eles.
Estava concentrada no meu lanche matinal.
De repente, a Debi disse:
- Vou ali - se levantou, olhou pra mim e piscou apenas com o olho direito. Estava combinando algo, mas o quê?
- Perai, onde você... - tentei dizer ao engolir o pão, mas ela já estava longe.
Alguém tampou meus olhos com as mãos.
- Alê! - gritei, e sorri.
Mas eu não esperava que uma voz masculina dissesse:
- Não! - seu tom era irônico, estava tirando sarro de mim.
De quem era aquela voz? Grave, mas ao mesmo tempo, doce.
Procurei na minha mente, tentando encontrar alguém com aquele tipo de voz. Não, não encontrei ninguém.
Segurei as mãos da pessoa, tentando arrancá-las de meu rosto. Estava curiosa para descobrir quem era o dono daquela voz tão bonita.
Olhei pra cima, ele sorriu.
- Surpresa! - disse, me deixando REALMENTE surpresa.

Quem é o dono da voz? Como Melissa reagirá? Qual será o destino do romance dela com Alexandre?

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