- Fernando? - balbuciei. Meu coração acelerou, minhas pernas e mãos começaram a tremer, minha mente, de repente, se lembrou de tudo. Aquilo que fora apagado pelo beijo de Alê, voltou com uma rapidez impressionante.
- Sim, sou eu - ele sorriu. - e você é a Melissa.
Disse, enquanto se sentava ao meu lado no banco de ardósia.
Me olhou nos olhos, foi capaz de me fazer desmoronar por dentro.
Eu não aguentaria olhar para aqueles olhos novamente, ainda mais tão de perto, sem que fizesse alguma "loucura".
- Cadê a Rafaela? - soltei, rápido demais, sem pensar.
- Ah, a Rafaela? - ficou surpreso - Sei lá! Deve tá em um sono de beleza...
Eu ri. Ele pareceu irritado. E isso era bom.
Olhei para a minha esquerda e Alexandre estava lá. Olhando pra mim, com um sorriso faceiro no rosto.
Ele riu e eu ri também. Queria ficar com ele. Mas, ainda tinha de "me livrar" de Fernando...
- Fernando, eu tenho que ir, depois a gente conversa direito, né? - disse enquanto tirava os meus olhos do maior e mais bonito deus grego que o mundo já conheceu.
- Se dependesse de mim... Só que você tem compromisso, não é? - Fernando olhou para Alexandre e suspirou. Sim, ele já sabia de tudo - Vai lá...
- Tá bom, tchau! - me levantei depressa e corri até Alexandre.
Ele abriu os braços, pronto para me acolher.
Nos abraçamos e fomos andando até a minúscula pracinha que existia perto do refeitório do clube.
- Você sabe que todo mundo já tá comentando sobre a gente né? - Alê disse de repente, olhando para os pés, através das frestas do banco.
- Sei sim, pode ter certeza que eu sei - me lembrei daquela manhã, quando Débora chegou desesperada querendo me perguntar se era verdade, eu ri da lembrança, a Dé estava tão engraçada!
Alexandre e eu passamos o resto da manhã conversando e nos conhecendo cada vez mais, ele sempre era uma companhia tão agradável, além do mais, os beijos dele também não eram nada mal!
O que estava marcado para aquele dia? Antes do almoço, resolvi voltar ao chalé para dar uma olhada na folhinha de afazeres e tomar um banho.
Quando passei pela grande porta de madeira do pequeno quarto que dividia com minha melhor amiga, tive uma surpresa.
Débora estava ali. Mas não sozinha. Estava com um cara.
Eles se beijavam loucamente antes que eu entrasse. Quando me escutaram, olharam para mim espantados, como se eu entrar no meu próprio quarto fosse um crime.
E o pior, estavam se agarrando na MINHA cama! Como assim? A Débora havia enlouquecido.
Olhei-a nos olhos, senti pena. Ela estava envergonhada.
Olhei nos olhos do garoto também, o encarando. Não senti pena, aqueles olhos me eram muito familiares. Até mais do que o necessário.
- Débora... - sussurrei. Depois sai correndo porta afora.
Ela não tinha culpa, afinal, não sabia de nada. Mas me senti traída e mal tratada.
Desamparada, sozinha, abandonada.
Como ele teve coragem?
E os nossos olhares?
Não significaram nada para ele?
Melissa está se sentindo abandonada. Mas por que? Ela não tinha motivos para isso, porém, seu coração lhe diz o contrário.
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