- Que foi? - ele pareceu espantado - Por que ficou tão quieta de repente?
- Eu? - corei mais uma vez.
- Ei! Você ficou vermelha! - Alexandre riu levemente.
- Er... - fiquei com vergonha, revirei o meu cérebro procurando algo para tentar mudar de assunto o mais rápido possível - Por que você veio pra cá? A galera tá lá nas piscinas principais.
- Ah, eu queria ficar sozinho...
- Hum... Acho que eu vou voltar pro meu quarto. - não queria ser um incômodo, não é?
- Não! Eu não tô falando que não queria você aqui. - ele desviou os olhos de mim e abaixou o rosto - Só queria ficar livre daquele tanto de puxa-saco que não me deixam em paz.
Sorri fraquinho, difarçadamente. Ele me queria ali, de certa forma.
Eu tinha uma dúvida enorme dentro de mim, precisava esclarecer algo, e se não o fizesse, não conseguiria dormir em paz.
- Alexandre, desculpa tocar nesse assunto de novo, mas eu preciso saber... - falei pausadamente, para evitar que ele me achasse inconveniente.
- Pode falar Melissa, eu sei que você quer saber muitas coisas, assim como todos os outros - sua voz era triste.
- É que vocês pareciam tão apaixonados, eram como um casal de novela, perfeitos - olhei para o rosto de Alexandre para avaliá-lo, a reação não era ruim, ele estava sereno e calmo - tinham uma certa harmonia, sabe? Quando um sorria, o outro sorria junto, quando um estava sério, o outro também ficava sério. Eu não entendi bem o motivo da separação, não era algo que se pudesse resolver conversando?
- Esse era o problema, Rafaela gostava de fingir que éramos um casal lindo e perfeito, mas na verdade, essa não era a nossa realidade. Eu sempre tentava conversar com ela, quem disse que isso era possível? Aquela garota é maluca! Ela se preocupava mais com a nossa imagem na cabeça dos outros, do que com o nosso próprio namoro! Pra mim, a opinião dos outros não interessa! Rafaela é tão diferente de mim que eu nem posso acreditar como nós fomos ter um relacionamento tão longo...
- Por que você não terminou antes, então?
- Ah, por que? - ele pensou por um minuto - sabe que eu não sei? Acho que sempre tive esperanças que ela fosse mudar, mas isso nunca aconteceu, nem vai acontecer...
- Bom, vamos mudar de assunto né? - meu tom de voz de tornou alegre e animado - Agora é só pensar no presente! E o futuro também fica pra depois!
Alexandre me olhou surpreso, pois o meu humor mudou repentinamente.
Olhei pra ele e sorri maliciosamente.
- Que foi? Por que tá me olhando assim? - Alexandre sorriu, confuso.
Eu não respondi à sua pergunta, só tomei uma atidude inesperada.
O empurrei, e ele caiu na piscina. A água respingou em mim, me deixando parcialmente molhada.
Dei uma gargalhada alta e debochada.
Ele emergiu na água e disse:
- É assim né? - veio nadando em minha direção, fiquei parada esperando o que ele faria.
E então, aquele deus grego com o corpo todo molhado, me puxou da beirada da piscina para dentro dela.
Eu já imaginava que ele faria isso, porém, não fiz oposição. Queria que ficássemos cada vez mais próximos, e nos tornarmos amigos era um bom caminho para que isso se realizasse.
Quando cheguei a superfície, Alexandre estava rindo de mim. E eu ri daquela situação.
Parecíamos duas crianças pestinhas e atentadas.
A noite já se aproximava. Depois de conversar tanto e nos tornarmos praticamente amigos de infância, o tempo não parecia passar quando estávamos juntos. Perdemos a hora e o céu já se tornava escuro.
A Débora nem devia estar mais por ali escondida. "Deve ter se entendiado de tanto ouvir a nossa conversa", pensei.
Fui pro meu quarto, que eu dividia com minha melhor amiga. Tomei um banho, vesti um short jeans, uma blusinha branca e calcei meus chinelos. Não senti falta da Debi de ínicio, mas depois percebi que ela não estava no quarto quando eu voltei.
Olhei no calendário de parede do hotel, nele ficavam anotados todos os afazeres que nós cumpriríamos. Arranquei a folhinha do dia anterior e olhei o dia atual.
Curtir a piscina.
Festa na fogueira.
Era o que estava escrito, com a letra pequena e redonda da Débora.
- Esqueci da festa na fogueira! - falei alto, jogando a mão na testa.
Pronto, só me faltava essa: falar sozinha, ou para mentes mais otimistas, conversar comigo mesma.
Saí do quarto apressada. Chegaria atrasada na festa. Não importava o quanto eu corresse.
Começaria às 6. Já eram quase 7.
E Débora ficaria chateada comigo, ela tem muita consideração por essas coisas de horário.
Mas, será que ele não me entenderia?
Cheguei ao amontoado de jovens e olhei ao redor para encontrar minha amiga.
O fogo crepitava ao som de conversas e risadas.
- Débora! Que bom que eu te achei! - segurei o braço dela e a virei para mim, ela conversava com alguns amigos da nossa classe.
- Oi Mel! - Débora se recuperava de algo engraçado, parou de rir e continuou - desculpa não ter te chamado, eu não queria interromper, você sabe...
- Eu sei, eu sei - eu ri, estava feliz - mas e aí, não quer saber os detalhes?
- Claro que eu quero! - ela me levou a um dos troncos de árvores que haviam em volta da grnade fogueira - Conta tudo!
- Tá, mas até onde você ouviu?
Cada detalhe que eu me lembrava, cada palavra, gesto ou reação, contei tudo pra minha amiga. Ela deu alguns palpites, e quando terminei o relatório dos acontecimentos, algo chamou a sua atenção.
- Mel, você viu que a Rafaela tá tentando fazer ciúmes no Alexandre com o Nandinho do 3ºB? - Débora disse disfarçadamente.
- Sério? O Alexandre tá aí?
- Melissa do céu! - ela falou um pouco mais alto - O cara não tirou os olhos de você desde o momento em que pisou os pés aqui!
- Não acredito! Mentira amiga! - olhei em volta freneticamente, procurando pelo deus grego que parecia sempre surgir de um sonho meu.
- Ele tá ali ó - minha amiga apontou com o queixo para Alexandre.
Olhei na direção certa e o vi. Ele sorriu e eu sorri de volta. Estava feliz em vê-lo, e ele parecia sentir o mesmo.
Que bom que aquela tarde na piscina não fora um sonho.
- Nunca vi ser tão distraída... - Débora murmurou enquanto se levantava, Alexandre vinha em minha direção.
- Oi Mel! - ele sorriu mais uma vez e eu correspondi. Uma coisa eu não pude deixar de reparar, era a primeira vez que me chamou pelo meu apelido.
- Ei Alexandre - disse, enquanto o observava se sentar.
- Chama só de Alê, sou mais acostumado com o apelido do que com meu próprio nome - ele riu e o acompanhei - você se lembra de mim, afinal!
- E por que não me lembraria? - estranhei, passamos a tarde juntos, oras.
- Não sei, é que você nem me notou aqui na fogueira - Alê abaixou o olhar, parecendo um pouco tímido.
- Ah, que isso! Eu sou muito distraída! MUITO mesmo! Você nem imagina... - parei um segundo - e também não estou acostumada com essas coisas de trocar olhares e paquerar, na minha cidade, os meninos vinham logo falar com as moças, não tinha isso de olhar, olhar e depois partir pro beijo. Primeiro se conheciam, depois vinha o beijo.
- Na verdade, assim que deveria ser em todo lugar, não? - ele me olhou nos olhos novamente.
- Pelo menos de onde eu vim, era - que bom que Alexandre entendeu.
- Então eu acho que você não percebeu mesmo - ele olhou pro lado, semicerrou os olhos, um ato reflexo, praticamente. - o Nandinho está com a Rafaela, mas a cabeça tá aqui com você.
- O Nandinho? - olhei na direção do novo casal - Que isso! Tá maluco? Ele tá lá com a Rafaela, nem sabe que eu existo!
- Claro que sabe! Quem daquele colégio não sabe que você existe? - Alê revirou os olhos - Esse Nandinho é um safado mesmo... - disse isso tão baixo quanto um sussurro.
- Safado por que ele tá com a Rafaela? - não posso negar que me senti decepcionada, depois de tudo que ele disse, ainda sentia ciúmes dela? - Mas eles nem se beijaram!
- Não é isso! - ele revirou os olhos mais uma vez - O problema é que ele não tira os olhos de você, Melissa!
Olhei para o Fernando, pele branca, os cabelos ondulados, quase formavam cachos, corpo forte, mas não malhado, alto, um sorriso muito bonito, não posso negar, e os olhos, negros, miravam os meus, fixavam o meu rosto, prendiam a minha atenção, o meu olhar.
Muito bonito.
Só naquele momento percebi. Ele fugia dos braços ferozes da patricinha. Tentava escapar deles, mas pra onde correria? Quase podia ver isso na sua expressão.
Alguém lhe chamou, desviou os olhos. Quase gritei seu nome para que não fizesse isso.
Ele pareceu ler os meus pensamentos quando se virou e olhou de novo nos meus olhos, um olhar intenso e sedutor, me convidava ao seu encontro. E eu queria ir até lá, salvá-lo das garras de Rafaela e tê-lo só para mim.
Mais uma vez, Melissa é o centro das atenções. Quem será o seu escolhido? E quais serão as consequências dessa escolha?
Não deixem de acompanhar!
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