sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Segredos

Cheguei em casa arrasada.
Enquanto me jogava debaixo do chuveiro, tomei uma decisão: eu não ligaria pro Daniel. Não o procuraria. Se ele quisesse falar comigo, teria que correr atrás. Pelo menos uma vez na vida, é bom né? Por que sempre era eu que fazia as pazes?
Dessa vez não.
Me largar sozinha naquele lugar? Além de ser uma grosseria, foi até uma falta de educação! Eu não era uma qualquer nem um de seus amiguinhos idiotas
pra ele me abandonar daquele jeito...
Vesti o meu pijama e deitei na minha cama.
Rolei de um lado para o outro enquanto pensava.
Quem era aquele com a Paula?
Não sei porque, mas alguma coisa estava me dizendo que não era o namorado dela.
Que coisa mais esquisita... Minha amiga nunca seria capaz de trair o namorado. Ela dizia que Bruno era o grande amor da sua vida. Mas isso ainda estava válido para pessoas bêbadas?
Raciocinava esses absurdos quando mergulhei na inconsciência.

Sábado. Acordei com batidas na porta de meu quarto.
Minha mãe entrou para me dar algum recado.
- Melissa, tem alguém aí querendo te ver - ela disse num tom enigmático de suspense.
"Só pode ser o Dan!" pensei, feliz e satisfeita. Meus olhos brilharam de alegria.
De pijama e tudo, corri para a sala de estar da minha casa. Só podia ser o Daniel. Era a única pessoa que eu queria ver. Ele pediria desculpas e depois me daria um beijo. Pelo menos era isso o que eu queria.
- Oi Mel - Paula disse quando entrei na sala. Parei, fiquei paralisada ali na porta. Decepcionada. Eu não queria ela. Queria o Dan - parece decepcionada em me ver? - sua voz era triste, parecia muito infeliz.
- Não Paula, é que eu pensei que era o Dan - fui até ela e lhe dei um abraço.
- É sobre isso mesmo que eu quero falar - ela abaixou o olhar enquanto eu me sentava no sofá.
- O que tá acontecendo amiga? A gente nunca teve segredos né? - eu precisava reconfortá-la da melhor maneira possível, apesar de que, naquela sala, não era só ela que estava triste.
- É... Isso mesmo. Nunca tivemos segredos. É por isso que eu preciso te contar - naquele momento, Paula já estava chorando. Ela enxugou uma lágrima e continuou - Ontem, acho que bebi demais, acabei fazendo algo que eu nunca faria...
- O quê Paula? O quê você nunca faria? - será que minha intuição estava certa? O homem com a Paula não era mesmo o namorado dela?
- Eu beijei o seu namorado - ela falou isso com um sussurro, mas foi alto o bastante para que eu escutasse e para que me deixasse bem incomodada.
- O QUÊ? E VOCÊ VEM AQUI NA MINHA CASA, PRA ME FALAR UMA COISA DESSAS? - eu gritei com ela, tão alto, que minha mãe veio ver o que estava acontecendo.
- Perai Mel! - a sua voz e a sua expressão eram de dar pena - Não foi nada por querer! EU JURO! Foi só porque nós estávamos bêbados! Eu nunca tive nenhum interesse pelo Daniel! - ela segurou meu rosto entre as mãos - você precisa entender isso!
Me livrei de suas mãos quentes e trêmulas para me afastar.
- Aquilo que eu vi não era apenas um beijo! - falei alto, mas sem gritar.
- Você viu?
- Vi! Por que? Ficou surpresa? Qualquer um que passasse por ali conseguiria assistir o espetáculo da traição!
- Mas, então, como você não sabia de nada? - Paula pareceu confusa.
- Eu pensei que você estava com seu namorado, né Paula? Como eu iria imaginar que minha melhor amiga ficaria se agarrando com meu namorado?
- Mel, eu juro que não...
- É melhor você ir embora Paula - a interrompi no meio da frase, não queria mais escutar aquelas desculpas esfarrapadas, provas de uma falsa amizade.
Ela não disse mais nada, olhou pra mim pela última vez e foi embora.
Isso é um sonho, é um sonho!
Meu cerébro gritava para mim, mas eu sabia que não era uma verdade. A verdade estava ali, escancarada na minha frente, fui traída pelo meu namorado e pela minha melhor amiga, ao mesmo tempo.
Essa barra eu não podia aguentar.
Quando as coisas ruins tem que acontecer, vem tudo de uma vez.
Isso era uma teoria.
Mas de uma coisa eu estava certa, não queria mais ficar ali.
Iria embora na primeira oportunidade.
A minha decisão já havia sido tomada naquele instante.
Ninguém mais iria me impedir.
Nem mãe, nem pai, nem ninguém.
Eu iria embora.

Melissa quer ir embora pra longe da pequena cidade em que foi criada. Mas aonde será o seu novo refúgio? Ela conseguirá reconstruir a sua vida?

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