Alexandre era tudo o que eu queria naquele momento.
Era uma pena que fosse apenas mais um amor adolescente. Ou não.
Por que havia decidido ir até lá mesmo?
Não conseguia me lembrar.
- Qual é o problema? - Alê perguntou, curioso.
Pensei por um momento.
- Er... Esqueci. - falei, distraída - Culpa sua!
Lhe empurrei com a mão esquerda e nós rimos.
- O que quer fazer? Temos a noite toda! - Alexandre me perguntou, a essa altura, já estávamos andando sem destino pelos caminhos de concreto envolvidos por grama e árvores do clube - e se a gente fizesse um piquenique amanhã, antes... - ele tagarelava, e suas palavras não faziam mais sentido. Algo me distraiu.
Fernando. Estava sentado num banco, em baixo de um poste de luz amarelada. Lia um livro grosso. Parecia algo que nunca imaginaria que ele faria, mas, ali estava a confirmação do contrário.
Aquilo me comoveu. Afinal, o Nandinho, como dizem, não era só um safado pegador que agarrava melhores amigas.
Ele riu.
O que estava lendo que parecia tão engraçado? Estava realmente se entrertendo com a leitura.
Senti simpatia por ele. Como isso era possível?
Só porque estava lendo um livro! O achei sensível, não entendo!
- E aí Mel? O que você acha? - Alexandre falou mais alto.
- Acho que ele finge ser quem não é, só pra fazer tipo pros amigos e pras meninas... - distraidamente, respondi como se a pergunta tivesse sido feita em meu subconsciente.
- Quem? - Alê perguntou, confuso - O que você tá falando, Mel?
- Eu falei isso alto? - me espantei.
- Sim, você falou. - ele parecia um pouco irritado por eu não ter ouvido metade do que dissera. - Quem finge ser quem não é? - agora estava curioso.
- Ah, ninguém não... Só estava viajando um pouquinho aqui...
- Um pouquinho?! - Alê riu.
Algo me passou pela cabeça. Algo infantil e pouco inteligente.
Alexandre e eu estávamos de mãos dadas, andando. Parei e fiquei na frente dele.
Arranquei-lhe um beijo desentupidor de pia. Ri mentalmente com esse pensamento.
Um beijo loucamente apaixonado, mais uma vez.
Quando terminamos, sua expressão estava abismada e, ao mesmo tempo, satisfeita.
Olhei pra trás, tentando avistar Fernando. Ele já não estava no mesmo lugar. Não estava em lugar nenhum. O procurei com o olhar por um longo momento. Preocupada com que o beijo que dei em Alexandre não adiantara em nada.
Fernando não viu. Então aquele beijo não serviu pra nada.
Me revoltei contra mim mesma.
Afinal, quantos anos eu tinha? 12? 13? Tentando provocar ciúmes em um garoto com outro?
Foi uma infantilidade. Algo que nunca havia pensado em fazer. Usar Alexandre para provocar Fernando. Senti pena de Alexandre, senti pena de mim mesma. Mas não de Fernando, ele não ficou com ciúmes, não ligou a mínima.
Quem sabe aqueles olhares não foram frutos da minha imaginação?
Ele poderia estar olhando para uma outra garota. Avistando pessoas diferentes, olhares que não eram os meus.
Isso tudo é novo para mim. Como saberia se os olhos dele se dirigiam mesmo à mim?
A desilusão tomou conta de mim. Foi como um castelo de areia sendo inundado por uma onda de água salgada, desmoronando e formando um monte de areia, feio.
Olhei para Alê, assustada comigo mesma. Por que fez isso? Monstro! Minha cosnciência gritou para mim, me deixando ainda mais culpada.
- Alê, vamos voltar? - disse, enquanto ele me olhava preocupado - estou com sono...
- Vamos sim - parou um instante e continuou - por que você ficou pensativa tão de repente?
- Sintomas de sono - sorri e ele correspondeu, eliminando todos os traços de preocupação expostos em seu rosto.
Alexandre ficou no seu quarto. Dissera:
- Por que quer ir sozinha? Posso te acompanhar!
- Não precisa! É tão pertinho! Você vai andar à toa... - respondi firme, assim poderia pensar um pouco sozinha.
Fui andando devagar, meus pés se moviam sem o meu comando.
Olhei o céu. A lua.
De repente muitas coisas fizeram sentindo.
Me lembrei de uma grande amiga, lá da minha cidade, que um dia havia me dito:
- Se você tem dúvida entre dois amores, então é melhor esquecê-los, pois se fosse amor verdadeiro, não haveria dúvida.
Senti uma saudade repentina da minha cidade, minha família, meus amigos, minha casa, meus momentos, minha liberdade...
Senti falta de quando não era confusa, sabia exatamente o que queria e o que faria.
Mas, agora tudo era diferente. Resolvi fugir de meus problemas ao invés de tentar resolvê-los...
- Fim do flashback -
Tudo bem.
Ótimo.
Quem liga?
Repetia em minha mente, porém, os meus resmungos em forma de pensamentos não ajudariam em nada.
É óbvio que nada voltaria a ser o que era antes.
Mamãe, papai, Marcelo, e até a Claúdia, fizeram muito para que eu chegasse até aqui.
Queria muito que minha vida voltasse a ser como era antes, mas isso seria impossível.
Cheguei a uma conclusão enquanto andava por ali e olhava para o astro que comovera tantos poetas e casais apaixonados.
O verdadeiro amor não está nos namorados, paixões e garotos, o verdadeiro amor está aonde nos deveríamos estar. Com nossa família, nossos amigos mais queridos e no lugar certo.
O verdadeiro amor não está num beijo loucamente apaixonado, está nos pequenos gestos de carinho, nas mínimas declarações que vem com o dia-a-dia.
Um dia encontrarei o meu verdadeiro amor, e enquanto espero por ele, posso também tentar procurá-lo, não é?
Espero que esse dia não demore muito.
Um beijo para todos que acreditam no verdadeiro amor.
Espero que tenham gostado. Me perdoem a demora para postar e continuar a história. Mas é que tenho feito muitas coisas, e o tempo corre gente! Ando bem ocupada, mas por favor não percam a paciência de ler as minhas historinhas!
Já estou com uma em andamento, e se preparem, que essa será tão criativa quanto as outras! Ou até mesmo um pouco mais! Quem sabe? O que eu sei é que gosto de escrever e deixar aqui tudo que pinta na minha mente!
Tudo foi escrito por mim, Cristiane Freitas Diamantino.
Qualquer semelhança não é uma coincidência.
Beijo, e continuem acompanhando!
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