- Você não vai acreditar! - ele ainda fazia suspense, já não era o bastante? - Eu tenho um amigo aqui em Almería, o Miguel, que é diretor de uma escola, eu conversei com ele e mostrei suas notas também.
- E aí? - eu quicava de empolgação e curiosidade.
- Miguel disse que você pode fazer intercâmbio na escola! Que aliás, é uma das melhores de Almería!
- SÉRIO? EU VOU MORAR NA ESPANHA COM VOCÊ? - dei um grito de alegria, mas de repente me veio um pensamento na cabeça - a mamãe e os meninos também vão vir?
- Não, filha. Só você. Mas nós vamos voltar pro Brasil em julho, lembra?
- Ah é. - pensei um minuto sobre isso e uma pergunta se formou em minha mente: Espanha ou Brasil? Decida-se Luciana! Tomei minha decisão em um estalo - Eu vou morrer de saudades!
- Então você já se decidiu a ficar aqui comigo? - papai disse um pouco desconfiado.
- É claro que sim pai! - isso era algo óbvio - Você sabe o quanto eu gosto da Espanha, me encanta. Além disso, essa experiência vai ser importante pro meu futuro, aperfeiçoar o espanhol, ter que fazer algumas coisas sozinha, aprender a ser mais independente!
- Isso aí!
Nesse momento, todos já estavam ali, me abraçando coletivamente. A gente sempre fazia isso antigamente.
Eu iria sentir muitas saudades.
Mas é só unir o útil ao agradável.
Conseguir o visto para ficar na Espanha não seria difícil, eu ficaria lá para estudar.
- De dois em dois meses nós vamos visitar o Brasil, podem ficar calmos. - meu pai parou por um segundo - Agora será mais fácil comprar passagens, porque eu fui promovido!
- Sério? Parabéns pai!
- Sucesso!
- Que maravilha!
MInha família falava ao mesmo tempo. Uma confusão de vozes se formando.
Quanta coisa boa acontecia comigo. Uma bolsa de estudos, estadia em Almería, estar com meu pai, garantir um espanhol mais avançado que o portunhol que costumo falar, um amor totalmente novo (não é a melhor coisa se apaixonar?), uma família linda e a maior felicidade que alguém já sentiu no universo inteiro!
Os dias se passaram depressa depois do meu pai revelar a notícia.
O tempo corria rápido demais.
Rafael fora embora, me garantiu que não estava com raiva de mim, estava chateado por nosso namoro ter terminado, mas não queria se afastar de mim. Poderíamos nos conectar pelo msn e pela infinidade de aplicativos que existem na internet.
Eu e minha família fizemos um tour por Almería e por cidades vizinhas, contamos com um guia especialista em passeios: Diego.
Ele pediu dispensa no trabalho por alguns dias, e nós o pagamos, é claro.
Igrejas, museus, lojas, ruas, avenidas, prédios, estações, praças, montanhas.
Todos os pontos turísticos, cada detalhe, cada cantinho, nós visitamos e vimos.
Além disso, fomos à casa de papai. Isso não poderia faltar no tour.
É claro que Diego não levou todos ao lugar em que nos beijamos a primeira vez, o nosso pôr-do-sol estaria sempre lá, somente para nós dois. Só nosso.
Meu aniversário, dia 10 de janeiro, fora comemorado de uma forma especial.
Após voltar de um passeio apenas com meu pai e meus irmãos - mamãe dissera que sentia dor de cabeça e Diego falou que não podia ir por estar ocupado, na verdade eles estavam organizando tudo - entramos em nosso quarto no hotel e o que me esperava lá? Uma festa surpresa! Foi tão lindo!
Sempre sonhei com uma festa surpresa, e quem disse que isso é simples demais para um aniversário de 15 anos? É disso mesmo que eu gosto!
O dia estava claro, apesar de estar frio.
Todos estavam prontos para se depedir da cidade.
A tirar pela exceção, eu.
Meus irmão não ficaram chateados por meu pai conseguir a bolsa apenas para mim. Afinal, ele tentou que todos conseguissem, até mostrou as notas de Eduardo e Júnior para o diretor, mas Miguel escolheu quem tivesse os melhores resultados.
E, modéstia a parte, eu consegui.
Meu pai buscou seu carro para levá-los ao aeroporto.
O último tour que faríamos em Almería, a ida para o aeroporto.
O Aeroporto Almería estava cheio. Várias pessoas embarcavam e desembarcavam, e muitas esperavam os seus conhecidos ali.
Nos abraçamos, beijamos, fizemos promessas...
E choramos.
Eu, principalmente. Chorar pra mim é como respirar. Choro com facilidade.
Sentiria tantas saudades deles. O coração aperta quando estou distante de qualquer um da minha família, mamãe, papai, Dudu e Paulinho. Sinto um vazio no coração, como um buraco, que não pode ser preenchido por outra pessoa.
Diego estava ali. Se tornou amigo da família, principalmente de Dudu. Os dois falam sobre futebol, video-game e essas coisas de homens.
Dudu dissera:
- Eu aprovo.
Eu e Diego rimos.
Uma voz feminina inundou os nossos ouvidos, anunciando o próximo avião a decolar.
Mais lágrimas escorreram de meus olhos, por ver todos indo embora.
Eles já passavam pela grande porta de vidro, na qual eu entrara dias antes, que mais pareciam uma eternidade, gritei algo o bastante para que escutassem:
- Eu amo vocês! - pensei mais um segundo e gritei de novo - Hei! Cuidem bem do Splash, tá?
Minha mãe e os meninos riram e se foram pela porta.
Olhei até que os perdesse de vista.
Fim
Olá visitantes! Chegou ao fim a história de Luciana. Por favor, digam nos comentários as suas críticas, sugestões, e claro, elogios também. Obrigada por lerem e acompanharem.
Tudo foi escrito por mim, Cristiane Freitas Diamantino.
Qualquer semelhança não é uma coincidência.
Até a próxima! :D
Nenhum comentário:
Postar um comentário