Diego abriu a boca para começar a falar.
- Olha Lu, dexa eu te exp...
Antes que ele terminasse a frase, eu o beijei. Levemente.
Abri os olhos para ver a sua reção.
Diego ainda estava com os olhos fechados.
Ele sorriu maliciosamente sem abrir os olhos.
- Então tá, dexa eu te explicar de um jeito diferente - disse isso abrindo um pouquinho os olhos.
Ao terminar a frase, ele me pegou desprevinida em um beijo diferente. Dessa vez não foi um selinho.
Foi um beijo de tirar o folêgo. Daqueles que fazem o coração disparar, fazem com que a gente se sinta tímida e confiante ao mesmo tempo, fazem os pensamentos voarem para um mundo de imaginação e contos de fadas, onde nada precisa ser real, apenas o amor.
Beijão.
Beijo de cinema.
Não é assim que falamos quando somos crianças e vemos os mais velhos se beijando?
Se alguma criança nos visse ali, diria isso.
Eu estava na ponta dos pés. Quando abrimos os olhos, Diego olhou para os meus pés e riu, eu ri junto com ele.
- Entendeu? - Diego disse, ainda rindo.
- Acho que sim - eu ri novamente.
Me estiquei ainda mais para lhe dar um abraço.
Ficamos ali abraçados por um tempinho.
- Sabe que, eu te amo? - ele sussurrou na minha orelha pois ainda estávamos abraçados - te conheço a, o quê, dois dias? E você já dominou meu coração.
- É... A gente passou por um monte de coisas né? - pensei um instante sobre isso - parece que a gente se conhece há muito tempo...
- Não vai falar? - Diego se afastou um pouco para olhar em meus olhos - Estou esperando Luciana. - parecia aborrecido, mas dava pra ver que não era real.
- Eu te amo! - disse isso em meio à risadas, segurei o seu rosto e lhe dei um beijo. Mais rápido do que antes, porém, durou o tempo necessário para trazer aqueles sentimentos à flor da pele mais uma vez: o coração batendo rápido, a personalidade confusa, os pensamentos...
Nós rimos mais uma vez.
Descemos para a recepção - abraçados -, eu iria para a área recreativa, e ele?
- Não quer nadar comigo? - fiz uma voz suplicante, acompanhada por uma máscara em meu rosto de pena.
- Querer, eu quero, né - ele suspirou - mas eu não posso. Ontem eu faltei o serviço e hoje eu tenho que pagar o dia.
- Ah! - minha voz desmoronou sem que eu pudesse evitar.
- Eu te levo lá, até a piscina - ele se ofereceu para me acompanhar, disse isso apenas para me reconfortar.
- Melhor não, não quero machucar ainda mais o Rafael.
- Ah, tudo bem. Eu entendo.
De repente, lembrei de uma coisa que me deixou curiosa.
- Diego, como que a Cris fala tão bem português?
- An? - ele estava distraído - A avó dela é brasileira e ensinou a falar português desde que era bem pequena.
- Eu fiquei curiosa.
- Você é muito curiosa né?
- Sou, muito mesmo. Eu já te falei isso?
- Não, eu é que percebi.
Sempre perceptivo, sempre sabe de tudo antes mesmo de eu contar.
Estávamos ali conversando no lobby, quando um homem meio acima do peso, com a pele pouco morena, roupas brancas, avental branco e um chapéu de mestre-cuca, surgiu de uma porta, olhando para os lados procurando por alguém. Fixou seus olhos em Diego e andou alguns passos para ficar poucos metros de distância de nós.
- Diego - o homem disse alto o bastante para que pudessemos escutar. - venha! Ou vou ter que te trazer pelas orelhas?
- Já vou - Diego respondeu, olhando para o homem, depois voltou seus olhos para mim - tenho que ir, antes que o senhor Leandro fique nervoso...
- Então, até mais tarde - olhei para o homem e o reconheci, era o pai dele. Me despedir de Diego sempre é difícil.
- Mas, aqui, você não vai se despedir direito de mim, não?
- Na frente do seu pai? - senti o meu rosto ficando vermelho - eu tenho vergonha - sussurrei.
Diego deu uma risada calorosa e alta. Me apertou forte em seus braços.
E eu ficando cada vez mais corada.
- Cada dia você me surpreende mais!
- Por que? - perguntei sem jeito.
Ele me roubou um beijo, um selinho. Na frente do pai dele, ai que vergonha!
- Diego! - eu disse em tom de repreensão.
- Que? - ele levantou os ombros e as mãos, fingindo não ter feito nada.
Ele riu alto e me apertou de novo, mas dessa vez, eu retribui e ri também.
Cheguei na área recreativa e todos estavam lá, meu pai veio até mim.
- Ei filha! - ele disse me apertando com seus braços fortes e carinhosos - só agora eu pude conversar com você!
- Ei pai! Pois é, eu tava meio nervosa, mas o Dudu me ajudou a ficar mais calma.
- Que bom filha, por que eu tenho uma ótima notícia pra você! - meu pai estava bastante animado e feliz, a novidade que ele iria me contar era muito importante pra ele.
Mas qual seria essa novidade?
O que Paulo Roberto tem para dizer à Luciana? Essa notícia será recebida com euforia por ela?
Não percam o próximo post :)
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